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Editorial

Abaixo o monopólio! Universalização já! Por um regime muriçocrático!

Foi com esses gritos de ordem que muriçocas manifestantes foram às ruas de Juazeiro há alguns anos. A intenção do movimento era reivindicar que toda a cidade pudesse desfrutar de suas companhias. Nesta época de muita luta, a população de pernilongos se concentrava na periferia de Juazeiro, especialmente nos arredores de canais, lagoas, esgotos a céu aberto. As ruas calçadas, saneadas, o centro da cidade pouco conhecia este fenômeno que hoje é presente em todos os lares, sem distinção, sem preconceito ou discriminação.

O movimento conquistou significativas vitórias. Hoje, pelo menos 12 horas por dia, as pessoas são obrigadas a conviver com o som harmônico, a presença massiva e aquela picadinha sutil da população de muriçocas que parecem se multiplicarem numa velocidade tamanha tanto quanto a capacidade de fugir de nossos tapas.

O que será que tem proporcionado esse alto índice “demográfico” na população de pernilongos em Juazeiro? Serão os riachos que cortam a cidade, que na verdade são canais de esgoto? Será a alta produção de cana da Agrovale que a cada dia aumenta seu Império nas proximidades da cidade? Serão espécies transgênicas criadas devido uma possível falha biológica a partir da introdução dos Aedes aegypti transgênicos? São muitas as possibilidades. Essas nova geração de muriçocas são grandes, pesadas, voam de forma lenta. Mate uma e veja o quanto de sangue que ela carrega em seu corpo, mancha lençóis, paredes, escondem-se de dia nos móveis escuros, sujam tudo com suas fezes.

O fato é que as muriçocas foram universalizadas em Juazeiro. Houve um movimento forte de descentralização, de expansão. Ganhou com isso o comércio. Produtos como repelentes, inseticidas, mosquiteiros, telas, raquetes, incensos, ventiladores, etc nunca saíram tanto das prateleiras. A aplicação do fumacê, ação realizada pela prefeitura, é apenas o spray de pimenta usado para combater a manifestação, ele assusta por alguns minutos, mas logo o protesto continua com a mesma força.

Nos tempos de infância, o repelente mais usado no Salitre era bosta de vaca, às vezes para melhorar o aroma, usava umas folhas de marmeleiro ou baraúna. Mas só tinha muriçoca no período do verde. Aqui na cidade, já não nos resta alternativas, não soubemos como não nos render ao regime muriçocático. Virou caso de saúde pública.

À prefeitura precisa abrir um diálogo com o movimento, negociar, discutir melhor as causas que possibilitaram a universalização e admitir que as estratégias de defesa foram falhas, tão falhas que uma revolta de muriçocas está sendo capaz de tirar o sossego dos citadinos e citadinas que hoje sonham com uma noite tranquila, um sono sem sinfonias ao pé do ouvido até 6h da manhã.

Resta concordar com uma amiga que diz: “jamais perdoarei Noé por ter colocado um casal de muriçocas em sua arca”.

Autor(a): Érica Daiane Costa

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