Água
A água é uma das questões centrais do Semi-árido. A região, aparentemente, apresenta muitos problemas relacionados à disponibilidade hídrica no decorrer dos 12 meses do ano. É verdade somente em parte, pois reconhecendo o potencial hídrico e estabelecendo políticas públicas de acordo com as características do clima semi-árido, com uma fração das verbas que se gasta a cada “seca”, o menor povoado e a mais afastada casa, poderia ter seu abastecimento de água segura, durante o ano todo e todos os anos.
A chuva, concentrada em poucos meses e a elevada perda de água por evapotranspiração, que chega a 3.000 mm ao ano, em contraposição a uma precipitação média de 700 mm, deixa secar rapidamente o solo e os reservatórios abertos.
Com exceção do Rio São Francisco, não existem outros rios perenes, que garantam a quantidade de água suficiente para a subsistência da população local. E mesmo este rio largo e farto de água não é a solução, pois a poucos quilômetros da sua margem, a população já depende dos carros-pipa.
Embora a captação e armazenamento da água da chuva para os períodos sem precipitação colocaria uma fonte quase inesgotável de água à disposição da população, o fato é que o aproveitamento das águas das chuvas pode ser considerada ínfima. Os poucos reservatórios existentes, açudes grandes e não apropriados, concentram a água em amplos e espaçosos reservatórios, com grandes espelhos de água que facilitam a evaporação.
Ainda não é comum a preocupação por parte dos governos de captar e armazenar a água das chuvas com estruturas à prova da evaporação e próximo às casas dos lavradores e lavradoras. Necessita-se de um plano de infraestrutura hídrica descentralizada. Grande parte da população ainda não possui e não tem condições de construir seus reservatórios com recursos próprios. Esses fatores contribuem para que no período de seca, a população fique na dependência do carro-pipa e vulnerável à manipulação por parte de alguns políticos.
Mesmo quando há água acumulada, as análises mostram que é de má qualidade e não é bem gerenciada. Isso acontece tanto com a água para o consumo humano, como para a destinada para a produção agrícola e animal.
Enquanto a experiência de captação e armazenamento da água de chuva, especialmente por parte das organizações da Sociedade Civil, vem se firmando como opção viável, especialmente para o consumo humano, a outra fonte significativa de água, a água subterrânea, é pouco aproveitada ainda, pois é uma fonte de maior volume, disponível durante 12 meses, para abastecer a casa, os animais, pequenas hortas e suprir todas as necessidades em anos de estiagens prolongadas. As bombas instaladas pelos Governos nos poços são tecnologicamente inapropriadas e exigem altos custos de manutenção, dinheiro inexistente entre as famílias de agricultores e agricultoras.
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