Produção
A diversidade natural do Semi-árido comporta práticas de manejo do território marcadas por relações sociais "arcaicas" e "modernas", includentes e excludentes; por atividades econômicas tradicionais, de pouca inserção no mercado, com baixo uso de tecnologia, em contraste com setores com tecnologia de ponta que utilizam dentre outras a agricultura irrigada. Em ambas as situações, as conseqüências ambientais são graves. Comporta, antes de tudo, uma forte concentração de terras e uma estrutura sócio política altamente paternalista.
A concentração de terras e de água tem sido um dos principais limitadores do desenvolvimento da agricultura familiar no Semi-árido. Além de faltar uma política de crédito e acompanhamento técnico voltado para atender às reais necessidades da população rural, desde aquela que vive e desenvolve sistemas de produção agrícola ou animal em áreas de sequeiro, àquela que desenvolve cultivos de subsistência em pequenas áreas irrigadas.
O cultivo e as práticas de produção não apropriadas à região, o alto custo da produção, a baixa qualidade e o não beneficiamento dos produtos, a competição com os respectivos substitutos sintéticos e a fragilidade nas organizações dos trabalhadores e trabalhadoras familiares, fazem com que se restringem os canais de comercialização, trazendo um baixo retorno econômico e levando à uma progressiva descapitalização da população rural. O Semi-árido brasileiro possui características próprias, com peculiaridades há muito tempo conhecidas. Esta porção significativa do território nacional necessita há séculos de políticas públicas eficientes e que tratem da questão das chuvas irregulares e das secas periódicas de maneira permanente, com a participação efetiva dos atores que vivenciam sua realidade, para assim, viabilizar uma vida digna às famílias sertanejas. Nesse cenário, têm sido marcantes, principalmente até a década de 80, as migrações inter-regionais como alternativa à falta de sustentabilidade para a população mais vulnerável no Semi-árido, sendo que, nos últimos anos e nas últimas secas, tem sido registrado um fluxo maior para as cidades, concentrando-se nas áreas periféricas de porte médio no Brasil e na região nordeste em particular. Ficam patentes a desestruturação das unidades familiares, diante da impossibilidade de sobrevivência nos períodos de seca e a ineficiência das ações do poder público, historicamente baseadas em medidas emergenciais e políticas compensatórias. É necessário partir para estratégias de políticas públicas estruturais, com foco integrado, de objetivos simultaneamente sócio-econômicos, político-institucionais, culturais e ambientais.


