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Terra, água e disposição melhoram qualidade de vida de agricultora

Terra, água e disposição melhoram qualidade de vida de agricultora

Vamos contar a história que foi contada por uma única voz, a da própria autora, D. Lúcia Maria de Jesus, da comunidade de Raso, Canudos, Bahia. Quem é D. Lúcia, que tem Maria e Jesus no nome? É mulher sertaneja, mãe guerreira de dois filhos. Trabalha e emprega a coragem que tem na lida diária de viver na zona rural do Semiárido. A soma de várias conquistas tem transformado o seu modo de ver e viver no campo. Primeiro o querer. Depois o ter. E por fim o desfrutar, da terra, do conhecimento que se soma à água, à produção de alimentos, à criação de animais. Menos sofrimento. Menos tempo gasto com atividades que exigiam esforço físico, como carregar água por quilômetros de distância.

D. Lúcia conta que a sua vida começou a mudar com a chegada de ações de Convivência com o Semiárido na sua comunidade realizada pela Articulação do Semiárido Brasileiro (Asa) e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa). Primeiro as cisternas. Depois a Assessoria Técnica e Extensão Rural - Ater para a Convivência com o Semiárido e, no meio disso tudo, a organização comunitária em defesa, principalmente, das áreas de Fundo de Pasto e de um jeito de viver no sertão. Os resultados que ela tem desfrutado vão além do que é simples. Hoje, ter a água na cisterna, alcança uma ressignificação da terra que germina com as suas próprias experiências.

Água na propriedade

São três fontes de água na comunidade de D. Lúcia: duas destinadas para a dessedentação animal e produção de alimentos e a outra para consumo humano. Uma dessas fontes é comunitária, um poço artesiano de água salobra, que funciona uma vez por semana, gestado pela Associação Agropastoril de Fundo de Pasto de Raso. A outra é de uso familiar, uma tecnologia bastante conhecida pelas famílias do campo, a cisterna-calçadão, onde cabem guardar até 52 mil litros de água da chuva. E por fim, a água utilizada para beber e cozinhar também é da chuva, captada através do telhado da casa e guardada em uma cisterna de 16 mil litros.

A soma destas fontes de água tem garantido para D. Maria Lúcia e a famílias que moram nas redondezas, uma tranquilidade nos períodos de seca. Como ela mesma disse, estas tecnologias ao lado de casa “são a garantia do futuro”.

Novas possibilidades no campo

Desde a chegada da cisterna de produção em 2009, através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, executado na região pelo Irpaa, a agricultora tem conseguido manter um quintal produtivo. “Esse incentivo é muito bom, só não planta quem não quer”, opina. No quintal encontram-se variadas frutas, legumes, plantas forrageiras e verduras e, segundo ela, só não tem mais por conta da falta de tempo para cuidar da roça sozinha. Além da horta, ela tem cerca de 30 cabeças de caprinos e um galinheiro de onde retira os ovos para o consumo e para venda.

A gestão desta água fica por conta da agricultora. “A seca volta”, lembra D. Lúcia. Ela contou que desde que a tecnologia foi construída, há cinco anos, não falta água da chuva na cisterna de produção e nunca recebeu água de carro pipa. Nos períodos de estiagem ela explica que não pode usar a mesma quantidade de água que aguava as plantas no tempo chuvoso. A regra dela é economizar para não faltar. “Água é vida”, ressalta.

Além das tecnologias, ela conta ainda com o serviço de Ater para a Convivência com o Semiárido, prestado pelo Irpaa. Através destas ações, ela contou que tem conseguido suporte técnico para cuidar dos plantios, fomento para investir e aprimorar a sua produção de alimentos (hortaliças, galinheiro e caprinos). Com isto, ela conseguiu realizar o desejo, de aprimorar o galinheiro, e planeja comprar uma máquina forrageira. “Não pode faltar água, terra e nem oportunidades para a gente”, conclui D. Lúcia.

Tudo que tem construído é por conta das oportunidades que abraçou. O que ela mais gosta nestas ações, apesar de não fazer muito, são as viagens para outros locais, para participar de cursos, ou de intercâmbios de experiências com outros/as agricultores/as. “É mais outro conhecimento”, esclarece.

A gestão da água somada a vontade e disposição de abraçar o que é novo tem lhe garantido perceber que não é possível combater um fenômeno natural (a seca), mas sim combater a naturalidade com que se vê a ausência de políticas de convivência com esta região. Hoje já são muitas famílias, assim como D. Lúcia, que sabem que a vida no campo é possível desde que existam condições para isto. D. Lúcia afirma: “só precisamos de oportunidades”.

Sem terra nada é possível

D. Lúcia sabe que as tecnologias sociais e a assessoria técnica são elementos que contribuem muito com a tranquilidade que tem hoje, mas sem a terra e a área de Fundo de Pasto a vida seria mais sofrida. A área individual dela tem quatro hectares, ela diz que sem a área coletiva (o Fundo de Pasto), este tamanho não seria suficiente para viver bem no campo. A principal causa seria por conta do modo de criar os animais, “não tem como criar [os animais] presos... não sou só eu que crio, tem muitos criadores na comunidade”, explica. Ou seja, a terra é um elemento base para que a agricultora tenha alcançado a vida que tem hoje.

Texto e Foto: Comunicação Irpaa


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