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Discriminação racial e direitos foram temas de discussão na Uneb Juazeiro

Discriminação racial e direitos foram temas de discussão na Uneb Juazeiro

As palavras mídia, racismo, ética, quilombolas, identidade, respeito estiveram bastante presentes na tarde e noite de ontem (27) no Canto de Tudo da Universidade do Estado da Bahia - Uneb, Campus III, em Juazeiro. Como parte das atividades no “Novembro Negro” no município, estudantes da disciplina “Ética e Legislação”do curso de Comunicação Social convidaram jornalistas, educadores/as, advogados/as, e representantes dos povos de Santo e da prefeitura de Juazeiro para debater temáticas ligadas a questões que ainda são desconhecidas de boa parte da sociedade.

A primeira mesa teve o tema “Mídia, Ética e Racismo”, tendo como pano de fundo a publicação de um editorial no jornal Diário da Região, edição do dia 05 de agosto deste ano. O jornal fez uma descrição preconceituosa do termo macumba, assumindo uma postura de amplo desrespeito para com as religiões de matriz africana. Na ocasião da publicação houve uma movimentação por parte de organizações religiosas de Juazeiro e Petrolina que chegaram a cogitar abrir processo contra a editora chefe do jornal na época, a jornalista Gabriela Canário, que esteve no evento para se retratar.

Além de assumir publicamente que errou, segundo ela, por desinformação e ignorância, Gabriela pediu desculpas e informou que na véspera do debate publicou artigo no mesmo jornal (edição 6976) com o objetivo de se redimir perante as/os praticantes das religiões de matriz africanas, bem como toda a sociedade. Suas desculpas foram aceitas pelos representantes dos povos de terreiro, que também a elogiaram pela atitude corajosa de se dispor a participar da mesa. Críticas ferrenhas, no entanto, foram feitas por jornalistas presentes na mesa que destacaram a irresponsabilidade com a informação, o que gera sérias consequências e atenta veementemente contra a democracia.

Para Céres Santos, jornalista e professora da Uneb, o caso revela dois crimes: o de racismo e o de plágio, afirmando que constatou que boa parte do texto publicado no editorial foi copiado de fontes disponíveis na internet e no livro usado como referência, a obra “Macumba Pega”, de Adelino de Carvalho. Além disso, foi posto em discussão que se trata de uma afronta ao direito à comunicação, já que um jornal de circulação regional assumiu um discurso que fere o direito da livre manifestação religiosa, incitando o preconceito e discriminação para com religiões como o candomblé, umbanda e afins, bem como para com a cultura afro de modo geral.

Na segunda mesa, o tema “Quilombos de Juazeiro: identidades e marco legal”, esclareceu uma série de debates que ainda precisa ser apropriado pela sociedade. Um deles foi o direito à certificação e regularização fundiária das comunidades tradicionais, que contou com a contribuição da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais da Bahia – AATR.

A importância do auto-reconhecimento e a afirmação da identidade foi também pautada por representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social – Gerência de Diversidade – da Prefeitura Municipal de Juazeiro, pelo Irpaa, Uneb, além do jornalista Uilson Viana, da comunidade quilombola de Volta Grande, do município de Bairro Alto, e de Delmiro Bitencourt (popular Xibio) representando a comunidade de Lagoa Salitre, que está discutindo o auto-reconhecimento.

O professor Paulo Soares classificou o momento como importante para melhor compreender a temática, principalmente do ponto de vista da legalização. Para Márcio Ângelo Ribeiro, da Secretaria de Cultura e do Núcleo Diretivo do Território Sertão do São Francisco, a institucionalização dessas discussões é algo que deve ser destacado como um elemento preponderante para a conquista de políticas públicas. Ele ressalta,porém, que não apenas o novembro deve ser referência para a discussão, mas o ano todo e em qualquer espaço. “A gente consegue visualizar uma pequena política pública acontecendo”, pontua Márcio citando que hoje em Juazeiro, além das universidades e organizações da sociedade civil, o poder público municipal também vem assegurando ações. Existe também o Fórum de Promoção da Igualdade Racial, espaço que reúne representantes de diversos segmentos.


Texto e Foto: Comunicação Irpaa
 


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