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Dona Isabel, um exemplo de força, felicidade e autonomia feminina

Dona Isabel, um exemplo de força,  felicidade e autonomia feminina

 

O Semiárido brasileiro é repleto de mulheres guerreiras. Uma delas é dona Isabel Alves dos Santos, agricultora de 83 anos, que em cada aniversário se torna uma criança, como ela mesma diz, fazendo uma brincadeira com a data de seu nascimento, 12 de outubro, que é comemorado o dia das crianças. É com alegria e esperança de uma criança que Isabel vive na Fazenda Tanque Novo, em Caiçara, comunidade do município de Chorrochó, no interior da Bahia.

Foi na infância que dona Isabel começou a lidar com a terra, ajudando seu pai no plantio de feijão, milho e demais roçados.Com muito orgulho e em tom de brincadeira, ela conta: “na minha juventude, não me trocava na enxada por seis homens no serviço da roça”, soltando em seguida um sorriso contagiante. Com essa força e determinação, dona Isabel criou os seus 11 filhos, com ajuda do seu esposo José Alves dos Santos.

Dona Isabel ainda relembra a época que tinha um açude perto do seu sítio, período no qual ela plantava feijão, batata, milho, abóbora para vender. “Eu plantava cinco mil covas de batata, depois o açude quebrou e não teve mais plantação [em grande quantidade], não represou mais água”, diz a agricultora. Sem a água do açude, dona Isabel passou a cavar cacimba para os cuidados da casa e construiu um barreiro, “eu cavei o barreiro, retirava cada pedra de lá” comenta Isabel, que por muitos anos, essa era a única fonte de água para molhar suas hortaliças e dar de beber as cabras e ovelha .

Com a diminuição dos plantios no sítio, dona Isabel botou um bar na lagoa do Zé Alves, comunidade vizinha a sua. Todo domingo, ela percorria aproximadamente 5 léguas montada em um animal para chegar no bar e trabalhar o dia todo lá. Essa foi sua rotina durante 36 anos, “começou a ficar perigoso na estrada, aí eu parei”, diz dona Isabel, lembrando que até hoje, o pessoal da lagoa
do Zé Alves comenta do seu bar e fala que sente saudades dela e de sua alegria.

“Eu sempre trabalhei, o melhor da vida é a pessoa trabalhar, trabalhando a gente tem o comestível, e na minha casa nunca faltou”, afirma dona Isabel com o mesmo orgulho que relata sua rotina diária, desde a hora que a corda, às cinco horas da manhã. “Eu acordo, coloco meu facão do lado e vou molhar minha horta, cuidar dos bichos e só venho para dentro de casa lá para as onze horas. Depois do almoço eu me deito no banco e cochilo até três horas da tarde, é quando conseguem pegar dona Isabel deitada”, diz, com mais um sorriso cheio de felicidade.

Enquanto dona Isabel cuida do sustento da Dona Isabel com marido, irmã e seu filho família, o cuidado com os afazeres da casa fica sobre a responsabilidade de sua irmã Maria Alves dos Santos, que há muitos anos mora com a agricultora. “Minha irmã me ajudou a cuidar dos meus filhos, tanto que eles a chamam de mãe”.

Hoje, dona Isabel tem um quintal produtivo, com a conquista da cisterna de produção, construída há aproximadamente três meses. Dona Isabel, já plantou tomate, pimentão, coentro, alface e outras hortaliças ao redor da cisterna, plantio comercializado nas feiras de Chorrochó, Macururé e São José, por suas três filhas, que moram na comunidade Caiçara. “Eu pego os coentro e mando para elas vender para mim, já tirei trinta, quarenta molho de coentro daqui, não fica um na feira, todo mundo gosta, pois e tudo verdinho, livre de veneno”, pontua a agricultora.

A expectativa de dona Isabel é vê a cisterna cheia para aumentar o seu quintal produtivo. “Coragem e gosto pelo trabalho eu tenho”, diz a agricultora, que mesmo com a idade avançada, não deixa de ir trabalhar na roça, pelo contrário, ela acredita que toda sua força, determinação e felicidade são frutos do seu amor pelo trabalho.

Foi com esse amor e zelo, que dona Isabel cercou sua cisterna e o quintal produtivo com telas, com a ajuda de seu filho. “Eu que carreguei toda madeira e pensei em cercar com tela, a ideia saiu da minha cabeça, eu fico pensando as coisas ai depois vou lá e faço”. A agricultora também junta algaroba para alimentar seus animais, “guardo vinte, trinta sacos, tem tempo deu guardar até cem sacos de algaroba, que dar para alimentar meus bichinhos quase o verão todo”, afirma.

É com todo o cuidado com a terra, determinação, felicidade e agradecimento pela vida, que dona Isabel vem construindo sua história. Estes fatores deram a agricultora o prazer de receber em sua propriedade um Intercâmbio de experiência do P1 +2, demostrando que com a força de vontade e a garantia de políticas públicas é possível viver no Semiárido, uma região repleta de recursos que possibilita uma vida digna e feliz ao seu povo batalhador.

Texto : Comunicação Irpaa / Foto: Comunicação Irpaa e colaborador Álvaro Luiz


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