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Criatividade e determinação permitem a independência de seu José

Criatividade e determinação permitem a independência de seu José

Certamente poucas pessoas poderiam imaginar a atividade agropecuária sendo desenvolvida por uma pessoa que perdeu a visão. Mas Seu José Gonçalves Sobrinho decidiu encarar as adversidades da vida e hoje é um exemplo para quem o conhece. Seu José nasceu na comunidade de São Francisco, em Macururé, no interior da Bahia. Porém viveu em Petrolina, São Paulo e demais cidades do Brasil, trabalhando como carpinteiro. “Em 80, arrumei um meio de vida melhor em São Paulo e voltei praqui negociando”, afirma seu José, relembrando sua volta para Macururé e o início de seu trabalho como camelô. “Eu negociava com tecido, relógio, bode, porco, animal. Vendia tudo e comprava”, afirma o agricultor.

Em paralelo à atividade de camelô, seu José cuidava do sítio da família, onde olhava os animais, plantava feijão, milho e realizava outros afazeres da roça. No entanto, no dia 28 de setembro de 1988, seu José perdeu a visão em um acidente com arma de fogo. “Eu fiquei entre a vida e a morte, fui para São Paulo... fiquei desesperado, quando chegou um homem e disse: Deus fecha uma porta e abre duas, enquanto há vida, há esperança, a esperança é a última que morre. Pronto, me conformei”, conta o agricultor ao lembrar como foi sua reação ao saber que tinha perdido a visão.

Após o acidente, seu José começou o processo de adaptação à sua nova realidade. “No primeiro dia que voltei da roça sozinho, em todo pau que eu encontrava de lá pra cá, eu escrevia no chão, caldeirão do Dionísio, baixa de fulano de tal... quando eu cheguei minha mãe tava sentada na frente, quando viu me admirou, de lá pra cá comecei andar sozinho”.Foi identificando o caminho com os apelidos que seu José reaprendeu a andar na comunidade.

Deixando de lado as atividades de camelô, Seu José passou a dedicar seu tempo exclusivamente para a lida no campo. “Eu vendo bode, eu compro bode... eu planto, cavo buraco, empreito meu serviço, trabalho com os camaradas, carrego madeira nas costas, cavo buraco de cerca, teço cerca”. Para conseguir realizar todas essas atividades, o agricultor colocou várias cordas na roça, “tipo varal”, onde ele anda pelo terreno segurando na corda.

O agricultor caminha com seu “bastão” até chegar aos varais. “Quando eu vou praquele cordão, vou sem pensar, não mudo meu sentido em namorar, em beber cachaça, em dançar, em nada, o sentido é aquele, quando chego no cordão, ali eu saio contando história, bebo cachaça sozinho...”. Dessa forma, o agricultor conquistou sua independência nos afazeres diários, acordando todo dia cedo para ir à roça.

Quem o ajuda na construção e manutenção dos “varais” é sua esposa Ivone Maria Araújo. “Triste de mim se não fosse ela”, afirma seu José agradecendo o companheirismo da esposa, que conheceu Seu José trabalhando na casa da família. No início, a família do agricultor era contra o casamento dos dois, devido a sua deficiência visual, porém, depois de 16 anos de relacionamento, o casal passou a morar juntos e estão com um ano de casados.

Dona Maria trabalha na escola da comunidade e nos cuidados com o sítio junto com o marido. Seu José conta que muitas pessoas da comunidade o aconselham a parar de trabalhar na roça, para ficar assistindo a televisão ou ouvido um som. “Eu tenho mais coragem que muita gente aqui”, complementa o agricultor. Uma das dificuldades de seu José é em relação à água para matar a sede dos animais, ele paga alguém para trazer a água do barreiro de uso coletivo da comunidade. O líquido é armazenado em uma cisterna construída pelo agricultor, que além de armazenar pouca água, está cheia de vazamento.

Mas, para facilitar a rotina do casal, essa realidade está perto de ser modificada, pois será beneficiada com a cisterna de produção, através do P1+ 2, garantindo acesso mais fácil à água para o rebanho de cabras e ovelhas e para molhação das hortas e demais plantios.
 

Texto e Foto : Comunicação Irpaa


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