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Primeira escola de Formação Feminista aconteceu neste final de semana em Juazeiro

Primeira escola de Formação Feminista aconteceu neste final de semana em Juazeiro

Sistema patriarcal e divisão sexual do trabalho foram os temas debatidos entre cerca de setenta mulheres da Bahia e de Pernambuco durante a 1ª Escola de Formação Feminista Ana Leopoldina dos Santos, que aconteceu nos dias 28 e 29 de novembro, em Juazeiro. Realizado pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), setor de mulheres do Levante Popular da Juventude, Marcha das Mulheres Negra com apoio de movimentos e outras organizações sociais, como o Irpaa, este foi o primeiro de três módulos da escola.

Entre os objetivos da escola está o de garantir a formação e agregar mais mulheres na luta feminista através do empoderamento acerca dos direitos historicamente conquistados. “Nosso principal desfio é garantir as leis que já foram conquistadas, e aprimorar estas leis e colocar novas leis, mas na atual conjuntura nós estamos enfrentando as diversas formas de retrocesso... de nós tirar estas leis, como a PL 5069, que é a Lei de estupro, coloca que estupro não é violência... isso é um retrocesso na vida das mulheres”, pontuou Érika Vasconcelos, da coordenação da Escola pela MMM. Ela argumenta ainda que a ideia que cada vez mais as mulheres estejam lado a lado na luta contra estas opressões, contradições e violências.

Lideene Lima, estudante de Ciência Sociais da Univasf diz que veio participar da formação porque este é um momento “de se politizar e conscientizar outras mulheres do papel dela na sociedade e consolidar a luta da classe das trabalhadoras”. Ela diz que diante da atual conjuntura, onde os direitos das mulheres vem sendo negligenciados, é preciso “unir forças e unir as minorias em buscar de um país que a gente possa exercer o nossos direitos de cidadã e que a gente tenha participação ativa nas decisões políticas sociais e econômicas do nosso país”, argumenta.

Patriarcado e divisão sexual do trabalho
 
“Para nós estudar o patriarcado é fundamental para entender como a nossa vida funciona, como ela se organiza. E também junto com o patriarcado a gente sempre coloca o capitalismo, o racismo. Estes três sistemas de dominação e exploração dominam corpo, vida e sexualidade da mulher”, explica Gabriela Silva, da Marcha Mundial das Mulheres, que contribuiu com esta discussão durante a escola. Ela apresenta ainda que este sistema patriarcal se expressa no modo de produção, nas relações sexuais de trabalho determinando as funções de homens e mulheres, na desigualdade de gênero, na compreensão do papel social da mulher como exclusivamente reprodutora, maternal, destinada ao espaço privado, o doméstico.

Sobre a segunda temática do estudo, divisão sexual do trabalho, Gabriela justifica que “colocar a divisão do trabalho em evidência é colocar que existem relações desiguais entre homens e mulheres nas relações de trabalho”, argumenta. Ela explica que esta divisão sexual é a materialização do patriarcado, determinando “que o trabalho dos homens está muito colocado para o trabalho produtivo e enquanto o das mulheres para o trabalho reprodutivo”, argumenta.

Para a Marcha Mundial das Mulheres Núcleo Sertão com esta realidade um dos desafios é organizativo, uma vez que o próprio Estado mantém estratégias de dominação, na qual a ideia de empoderamento individual da mulher é um perigo e traz consigo o ideal do neoliberalismo, o que coloca à margem a união das mulheres. Neste contexto muitas das políticas existentes favorecem estes três sistemas, que excluí a mulher dos espaços de poder, tem sua força de trabalho explorada, sofre com a violência psicológica, simbólica e física, além de viver uma desigualdade de gênero.

Os movimentos defendem que para realizar as mudanças nesta conjuntura, o atual sistema político precisa passar por uma reforma, já que a atual organização é de base machista o que determina os modos de organização e de produção da sociedade.

“Para nós [mulheres] é apontar que existe este sistema de dominação que é o patriarcado, o machismo e o capitalismo, mas que a gente coloca o feminismo e auto organização das mulheres como instrumento de lutas. E que é a partir do nosso enfrentamento a este sistema que a gente vai conseguir verdadeiramente uma sociedade com igualdade entre homens e mulheres”, aponta Gabriela.

O segundo módulo da escola vai acontecer no mês de março com o tema Violência contra a mulher.

Texto e foto: Comunicação Irpaa
 
 


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