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I Escola de Jovens de Fundo de Pasto da região do CUC acontece essa semana

I Escola de Jovens de Fundo de Pasto da região do CUC acontece essa semana

Os municípios de Canudos, Uauá e Curaçá estão sendo representados por 36 jovens de comunidades tradicionais Fundo de Pasto que estão, desde o último dia 14, participando da I Escola de Convivência com o Semiárido para jovens de Fundo de Pasto, realizada pelo Irpaa no Centro de Formação Dom José Rodrigues, em Juazeiro (BA).

Com o objetivo de debater diversos temas ligados a Convivência com o Semiárido, em especial o direito à terra e as particularidades da luta das comunidades Fundo de Pasto, o evento se propõe a contribuir com a formação da juventude camponesa, segmento que pode ser protagonista da luta pela permanência nas comunidades. O grupo, que possui uma faixa etária de 18 anos, está tendo acesso a temas como certificação e regulatização fundiária, história do Semiárido, produção apropriada ao clima da região, acesso a água, educação contextualizada e direito à comunicação.

Através de exposições orais e visuais, trabalhos de grupos, dinâmicas, apresentações artísticas e místicas, além de outros elementos previstos na programação, a juventude participante da Escola está tendo a oportunidade de dialogar um pouco mais acerca da própria realidade. “É algo muito proveitoso, principalmente porque a gente ver as experiências de outras comunidades, é uma troca de conhecimento muito boa. Tenho certeza que cada jovem aqui vai aprender algo de diferente como também vai transmitir”, avalia Maria Cristina Martins, da comunidade de Cabeceira, em Curaçá, que também é membro da Pastoral do Meio Ambiente.

A formação vem sendo conduzida pelo Eixo Terra do Irpaa, e para Diego Albuquerque, um dos colaboradores do Eixo, essa formação parte da necessidade de incentivar a permanência da juventude do campo, sendo esta protagonista de suas comunidades e defensora do modo de viver das mesmas. Diego destaca que, além dos temas ligados à terra, a influência da mídia e a produção apropriada ao Semiárido vem sendo debates bem presentes na Escola. Ele pontua que se percebe um interesse da juventude em viver no campo, mas que algumas demandas e desafios ainda precisam ser considerados, uma vez que esses/as jovens “querem permancer, mas precisam descobrir como”, observa Diego.

A Escola vai até o próximo dia 19, momento em que as/os participantes retornam para suas comunidades com o compromisso de colocar em prática o conhecimento que estão construindo nesse encontro diverso. Mayara Cunha, da comunidade de Santana, em Curaçá, após cursar agropecuária no Centro Territorial de Educação Profissionalizante (Cetep) e morar na República do Irpaa, passou a contribuir de forma mais intensa com a organização de sua comunidade. Além de trabalhar no projeto de Busca Ativa das comunidades tradicionais, coordenado pela Articulação Estadual de Fecho e Fundo de Pasto, Mayara é uma jovem militante que também conduziu algumas das formações da Escola. Para ela, “é uma missão que a gente recebe, levar pra nossos companheiros que ficam nas comunidades essa bandeira [da defesa] do Fundo de Pasto”.

Deafios


A educação de qualidade, a garantia de geração de renda e o engajamento social da juventude nas lutas comunitárias em muitos casos são obstáculos que podem contribuir com a saída de muitos/as jovens de suas comunidades de origens. “Muitos querem permancer, mas aí tem a necessidade de sair por falta de renda, de estudo”, cita Mayara, lembrando que é preciso também pensar outras formas de organização da juventude, bem como é preciso as lideranças comunitárias apostarem ainda mais nesse público.

Já Hernandes Nunes, do Rio do Suturno, município de Canudos, reforça que é necessário haver mais oportunidades para as/os jovens de forma que possam permanecer em suas terras, fortalecendo a luta pela mesma, uma vez que, segundo ele, “a nossa terra é o nosso ganha pão nas comunidades Fundo de Pasto”. Outro aspecto que ele cita é o distaciamento da escola formal da realidade das comunidades, o que não ajuda na compreensão de que a vida nesses territórios é viável.

Ameaças

Os diversos impactos que as comunidades tradicionais Fundo de Pasto enfrentam diz respeito diretamente a vida dos milhares de jovens que vivem no campo no Semiárido brasileiro, inclusive na região do CUC (Canudos, Uauá e Curaçá), no sertão da Bahia. A luta por condições de permanência no campo tem se somado à mobilização contra empreendimentos como mineradoras e parques eólicos, que costumam explorar as comunidades e deixar um legado negativo.

A necessidade de solicitar ao Estado a certificação da comunidade enquanto Fundo de Pasto é uma das discussões mais exploradas no evento, uma vez que o prazo para isso é 31 de dezembro de 2018, conforme está estabelecido na Lei 12.910/2013. O processo de Busca Ativa para identificar que comunidades precisam fazer essa manifestação junto à Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA) já vem sendo feito por diversas organizações de apoio às comunidades Fundo de Pasto, a exemplo do Irpaa.

Contudo, mesmo com a certificação, a investida de grandes empresas, muitas vezes com respaldo e/ou autorização do poder público estadual e local, não é eliminada. Neste sentido, é importante o engajamento das/dos moradores/as, especialmente a juventude, para enfrentar tais ameaças e resistir na defesa do jeito de viver no sertão.

O objetivo do Irpaa é dar prosseguimento a Escola com outros módulos em 2017, com vistas a contribuir no fortalecimento da juventude do campo, especialmente das comunidades tradicionais Fundo de Pasto na região norte da Bahia.

Texto: Comunicação Irpaa
Fotos: Eixo Terra


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