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Precariedade da educação é um dos entraves para a permanência de jovens nas comunidades Fundo de Pasto

Precariedade da educação é um dos entraves para a permanência de jovens nas comunidades Fundo de Pasto

Nas últimas décadas no Semiárido brasileiro, muitas políticas têm assegurado uma melhor qualidade de vida no campo, especialmente sob a lógica da Convivência com o Semiárido. Porém, garantir a permanência da juventude nas comunidades tradicionais de Fundo de Pasto tem sido um desafio posto no sertão da Bahia.

A nova realidade de garantia de alguns direitos como acesso à água e fomento à produção faz registrar o retorno de muitas pessoas ao campo, contrapondo um momento passado onde o êxodo era constante. No entanto, ainda é um problema a ausência de políticas efetivas que garantam, principalmente, educação e geração de renda para as/os jovens.

Para o jovem Jaziel dos Santos, da Articulação Estadual de Fundo de Pasto, a negação de alguns direitos contribuem para a saída de jovens do campo. Ele destaca a precariedade da educação como um desses fatores, uma vez que há uma distância entre o que se estuda e a realidade. “A própria formação já vai formando o cidadão pra ir para os centros urbanos, não possibilita essa visão de que o meio rural é um lugar bom pra se viver”, aponta Jaziel.

Essa crítica é bastante percebida por diversos outros jovens, a exemplo de Hernandes Nunes, da comunidade de Rio do Suturno, em Canudos (BA), que avalia: “a educação formal, essa educação dos livros, é totalmente o oposto da nossa realidade”. Hernandes ressalta, contudo, que estuda em escola técnica e que vem percebendo certo avanço ao debater questões do dia a dia das/dos estudantes.

Além da ausência de uma educação contextualizada à região, muitas vezes não há oferta do ensino médio nas comunidades. Isso, para Jaziel, de certa forma obriga a juventude a sair do campo para estudar nas cidades. Somado a isso, para ele, há ainda o desafio da geração de renda, o que dificulta a permanência no campo e, consequentemente, o engajamento da juventude na luta em defesa da terra e territórios.

A valorização da identidade e relação de pertencimento é algo que, para Hernandes, precisa ser fortalecido “porque a nossa terra é o nosso ganha pão na comunidade Fundo de Pasto”, defende. Contraditoriamente, há muitos casos em que jovens migram de suas comunidades para trabalhar em outros estados e acabam exercendo atividades também no campo, porém numa relação de precarização da mão de obra, vivendo em condições ainda piores, lembra Jaziel dos Santos.

Taís Sousa, jovem militante de Sítio do Alexandre, em Curaçá (BA), chama atenção para atividades como a caprinovinocultura, que tem garantido a renda de muitos/as jovens, inclusive de alguns/as que já são chefes de famílias. Ela afirma ainda que é a falta de oportunidades que ainda faz com que a juventude do campo deixe pra trás seus laços e tradições em busca de melhores condições de vida.

Esta realidade tende a se alterar ainda mais, conforme avalia a Articulação Estadual Fundo de Pasto, uma vez que, com a consolidação do governo (golpista) de Michel Temer, tem se consumado uma imensa perda de direitos, o que tem sérias implicações também com relação ao diálogo com a juventude e com a educação.

Permanência da juventude no campo ainda é um desafio
“Se o campo não planta, a cidade não janta”, diz grito de ordem comumente usado pelos movimentos de luta pela terra. Este manifesto surge para desconstruir a visão que sempre foi reproduzida de que o campo é o local do trabalho braçal, da educação precária, da falta de infraestrutura. A cidade, nesta lógica, é visto como o lugar ideal, onde há acesso aos bens de consumo e serviços públicos que faltam ou são de má qualidade na área rural. O grito então é uma reação, lembrando a importância do campo, que é de onde vem os alimentos de toda a população.

O encurtamento da distância entre cidade e campo, no entanto, vem se dando nas últimas décadas. Um aspecto inegável que contribui para isso é a relação que as pessoas tem estabelecido com as diversas tecnologias. Somado a isso, muitas políticas tem assegurado uma melhor qualidade de vida nas comunidades rurais, especialmente sob a lógica da Convivência com o Semiárido. Esta nova realidade faz registrar o retorno de muitas pessoas ao campo, contrapondo um momento passado de êxodo.
Apesar disso, a permanência da juventude ainda tem sido um desafio.

Texto e Foto: Comunicação

 

 

 

 

 


 


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