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Comunidade de Campo Formoso sofre com a ausência e deficiência das políticas públicas

Comunidade de Campo Formoso sofre com a ausência e deficiência das políticas públicas

 
A comunidade de Atalho, no interior de Campo Formoso, na Bahia, carrega ao longo de sua história um processo de negação aos direitos sociais, direitos como acesso a educação, água em quantidade e qualidade, moradia, segurança alimentar, ao trabalho entre outros direitos que são essenciais para garantir uma vida digna a população. Na última terça-feira (04), a equipe do Irpaa esteve reunida com a comunidade para apresentar o projeto Pró-Semiárido, que está sendo executado no município de Campo Formoso e Atalho é uma das 36 comunidades contempladas.

Atualmente 18 famílias moram na comunidade de Atalho, mas seu Berto José dos Santos, que nasceu na comunidade, lembra que o povoado já foi bem maior, porém a ausência de políticas públicas fez com que muitas pessoas fossem embora da região. Os/as moradores/as de Atalho viveram muito tempo da prática de pesca, da agricultura de vazante, atividades que diminuíram com a degradação do rio. Com isso muitas pessoas, especialmente as/os jovens, foram trabalhar nos grandes projetos de irrigação nas cidades circunvizinhas. O jovem Alfredo José Araújo, de 22 anos, foi um dos jovens que saiu na expectativa de melhores condições de vida: “eu fui pra Juazeiro pra trabalhar, mas chegando lá pagava aluguel, trabalhava igual a um louco pra pagar aluguel, aí eu falei mulher nós vamos embora”, relembra Alfredo.

Retornando para sua comunidade de origem, o jovem trabalha como diarista nas plantações de cebola e outros cultivos irrigados nas propriedades próximas a sua comunidade. “As vezes eu trabalho quinze dias no mês, é muito pouco o trabalho que a gente arruma aqui. Trabalho na roça de irrigação, dar um veneno, soltar um adubo, molhar, tem vez que nem meio dia o cara não tem possibilidade de almoçar de boa…”. Segundo ele, esse trabalho não garante o sustento da sua família, ele é um complemento à Bolsa Família, que é a principal fonte de renda da comunidade junto com a aposentadoria rural, política pública que está ameaçada com a proposta de reforma da previdência, do atual governo.

A agente comunitária Lucidalva Carvalho Nascimento, que trabalha na comunidade há 15 anos, afirma que a chegada do Programa Bolsa Família melhorou a realidade das famílias. Outra conquista da comunidade foi a perfuração do poço artesiano no povoado, uma vez que “antes a gente andava meia légua pra chegar no rio e pegar água na cabeça”, recorda seu Berto. “Esse poço foi perfurado por políticos, tem mais de sete anos que foi aberto, só que colocaram a bomba tem um ano e pouco”, complementa a agente comunitária.

Para Lucidalva essa nova fonte de água melhora o aspecto de saúde dos/as moradores/as, que hoje para ter acesso à Unidade Básica de Saúde precisam percorrer 36 Km até a comunidade de Lages no Negros. “É difícil é [acesso ao posto de saúde], mas amenizou mais, eles dão duas vagas por semana [nas consultas], uma na quarta-feira para o “Hiperdia” e na quinta-feira pra atendimento geral. Na segunda tem atendimento para criança e gestante”, explica Lucidalva. Para ter acesso à educação, as crianças e jovens também precisam se deslocarem para outras comunidades. “As crianças da pré-escola vai para Casas Velhas e outra turma vai para colégio do Pacuí… elas precisam sair daqui no máximo cinco e meia da manhã”, relata Lucidalva.

Nesse cenário de ausência de políticas públicas, Atalho foi um das comunidades escolhidas pelo Irpaa para executar o projeto Pró-Semiárido. A chegada do Projeto animou os/as moradores/as do povoado: “eu achei bom esse projeto, ele vai ajudar muito a gente aqui”, afirma Berto. O jovem Alfredo também acredita nessa melhoria: “vou poder investir na criação, eu já crio umas galinhas… vai ser bom”.

O projeto Pró-Semiárido está sendo executado pelo Irpaa através da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).


Texto e foto: Comunicação Irpaa


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