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“Estado brasileiro precisa repensar conceito sobre o que é alimento”, diz conselheiro

“Estado brasileiro precisa repensar conceito sobre o que é alimento”, diz conselheiro

 “Nas margens do São Francisco nasceu a beleza e a natureza ela conservou”.

Os primeiros versos da canção “Petrolina-Juazeiro”, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga, trazem a lembrança de um rio perene e caudaloso, um patrimônio natural inviolável. Entretanto, a realidade hoje é de um Velho Chico cansado, que luta para resistir às agressões do homem.

É em Juazeiro da Bahia ― margeada pelo São Francisco na divisa com a cidade pernambucana de Petrolina ― que o agricultor Moacir dos Santos planta goiaba, tomate, macaxeira e hortaliças. A produção é toda destinada para comercialização e consumo pelos moradores da região.

Presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da Bahia, ele desenvolve projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA). A organização não-governamental atua no apoio à agricultura sustentável de convivência com o semiárido.

Moacir participou da terceira plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), realizada nesta última quarta-feira (16), em Brasília, e que debateu o tema “Água, soberania e segurança alimentar e nutricional”.

Durante o evento, numa pausa para beber água, ele falou sobre sistemas irrigados de agricultura, sustentabilidade do modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro, contaminação dos rios por agrotóxicos e sobre tecnologias sociais de captação e armazenamento de água. “Não falta água, o que falta é gestão eficiente da água”, enfatiza Moacir. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Captação e armazenamento

“É preciso investir mais em sistemas e tecnologias de captação e armazenamento. Água existe, o que falta é gestão eficiente dessa água, seja ela subterrânea ou vinda da chuva. Temos que fortalecer a cultura de armazenamento de água, que pode ser feito dentro da própria residência ou por meio de equipamentos dos municípios. Gasta-se muito recurso público, de forma ineficiente e com grandes danos ambientais”.

Preservação

“É preciso cuidar da manutenção da atmosfera do ar, para que haja maior trânsito das nuvens até os pontos de precipitação. Aí entra a questão da preservação da vegetação da Caatinga, do Cerrado, da Mata Atlântica e da Amazônia. Sem árvores, a temperatura aumenta e as nuvens se elevam, dificultando a ocorrência de chuvas. Isso dificulta a composição dos lençóis freáticos que alimentam o São Francisco. O rio é só uma calha, não se produz água nele. É preciso considerar a água subterrânea, a água superficial e a água da atmosfera como um conjunto de recursos”.

Transposição

“A transposição do São Francisco é uma obra inadequada, ineficiente e danosa, tanto ao rio, que serve sua água, como ao povo, que recebe essa mesma água. É uma ilusão pensar que isso [a transposição do rio] resolverá os problemas de falta de água no semiárido. A transposição desvia a atenção ao principal motivo da falta de água na região, que é a falta de gestão”.

Irrigação

“Na minha região, a irrigação pelo São Francisco serve a grandes áreas empresariais, para a produção de frutas para exportação e, ainda, para o plantio de cana de açúcar. São cerca de duzentos mil hectares irrigados, que não produzem comida para a população local. O arroz, o feijão, o milho e a carne que são consumidos não são produzidos na própria região. Além disso, o rio está sendo contaminado por agrotóxicos e adubos químicos”.

Plenária

“A plenária do Consea foi uma oportunidade para discutir o atual modelo brasileiro de desenvolvimento agrícola. O evento trouxe para debate a visão da sociedade civil, com a participação da ASA [Articulação Semiárido Brasileiro], do Ministério Público, do poder judiciário, e trouxe também a visão do poder executivo. A visão dos conselheiros da sociedade civil é de que os grãos produzidos em larga escala para exportação não devem ser classificados como alimentos. O Estado brasileiro precisa repensar o seu conceito do que é alimento, uma visão concentrada na produção de soja, algodão e milho. A gente não come essa soja, nem esse algodão, nem esse milho”.

Fonte: Consea Nacional


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