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Potencial para fruticultura é destaque no Semiárido de Alagoas

Potencial para fruticultura é destaque no Semiárido de Alagoas

Quem passa pela BR 316, em Estrela de Alagoas-AL, a 158 km de Maceió, logo percebe o potencial produtivo de frutas que tem a região. São várias bancas vendendo jaca, seriguela, manga, caju e, dentre tantas outras, pinha e castanha de caju, tudo produzido de forma orgânica e sem necessidade de irrigação.

Seu Erasmo Mendes, 61 anos, mora em uma pequena propriedade,  na comunidade Sítio Mendes, em Estrela de Alagoas. Ele nos conta que a pinha tem duas safras no ano e que isso possibilita a melhoria na renda das famílias da região. “Nós sem a safra de pinha estamos mortos”, conta sorrindo. “Quando vem a safra de pinha todo mundo fica animado, né? Todo mundo ganha um troquinho: ganha o comprador, o atravessador, o outro atravessador… é que vai passando de mão em mão, né? A pinha quando vai chegar em Recife ou em São Paulo, já tem passado pela mão de três ou quatro atravessadores. Ali todo mundo ganha três, cinco ‘conto’ por caixa”, relata o agricultor.

Atualmente uma caixa de pinha está sendo vendida para os atravessadores por um preço que varia entre 30 e 40 reais. Mas Seu Erasmo nos conta que essa não é a forma que ele prefere para vender o produto. “Eu gosto de trabalhar na feira, porque na feira o lucro é melhor”, explicita ele. Na feira, três frutas pequenas – que ele classifica como “loré”, são vendidas por R$1, enquanto três frutos grandes valem R$5.

Este ano Seu Erasmo e a esposa, Dona Marinalva Angelita acreditam ter colhido cerca de 100 caixas de pinha nesta primeira safra. A expectativa para a próxima produção do ano é muito boa. De acordo com o agricultor, a segunda safra geralmente é maior e este ano já aparecem bons sinais de que a produção será alta: “tem muita pinha nova, tem flor. Vamos esperar a próxima safra, do mês de São João”, aguarda ele com expectativa.

Quando o assunto é a castanha de caju, seu Erasmo não se empolga tanto, mesmo assim conta feliz os resultados obtidos, pois após um período de sete anos de seca, só este ano foi possível retomar a produção na comunidade. Em 2018, a família comercializou 720 kg de castanha, tudo via atravessador e sem beneficiamento. “A gente ‘descastanha’ e bota para o armazém e os caras botam para Fortaleza, no Ceará”, esclarece ele.

A castanha, quando beneficiada, tem uma valorização de até 350%. Em 2018, o fruto saiu da comunidade a R$3,50/kg, um preço que as/os agricultoras/es consideram ótimo, se comparado a anos anteriores, porém muito inferior aos R$60/kg, valor de mercado ao consumidor após passar pela torra e retirada da casca.

A dificuldade na comercialização enfrentada por seu Erasmo é semelhante ao que passa a família da jovem Letícia Guedes, 22 anos, moradora da comunidade Lagoa da Melancia, em Estrela de Alagoas-AL. Letícia e a avó produzem feijão, milho, fava, andu, feijão de corda, pinha, manga, seriguela, acerola e caju. Ela conta que também faz a comercialização da forma mais comum na região, via atravessador.


Oportunidade

No vizinho município Palmeira dos Índios – AL, o Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA está incentivando a formação de uma cooperativa que poderá fazer a ponte entre agricultoras/es e consumidoras/es. “É uma cooperativa estadual, vai abranger todo o estado, especialmente onde o MPA atua, forma os grupos de base e trabalha com os agricultores para produzir e aumentar sua renda a partir da sua produção na comunidade”, explica Joselton Silva, 29 anos, uma das lideranças em Lagoa da Melancia.

“Acredito que o projeto [Semiárido Produtivo] vem dar um pontapé, um potencial muito bom para a questão de trabalhar a castanha, a pinha, trabalhar umas formações, metodologias e tecnologias que venham ajudar nesse processo de beneficiamento dessas frutas e dentro da organização da comunidade, trazer renda.

“A castanha poderia ser torrada e as famílias agregarem valor a esse produto. Hoje elas são vendidas de forma in natura. Em relação ao caju a gente observou que as frutas são perdidas. Ao invés de perder o caju, as famílias podem agregar valor fazendo o beneficiamento: doces, compotas e polpas”, argumenta Ana Cristina, Assessora Produtiva nos estados Alagoas e Sergipe.

O Projeto Semiárido Produtivo, executado pelo Irpaa e financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES pode contribuir para a organização da comunidade no sentido do beneficiamento e comercialização direta, aumentando a renda das famílias.

Texto e foto: Comunicação Irpaa


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