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15.07.2011
14 de julho: 9 anos de um episódio doloroso e inesquecível
Em 14 de julho de 2002, após um grande seminário realizado pelo PROCUC – Programa de Convivência com o Semiárido nos Município de Canudos, Uauá e Curaçá, onde naquela oportunidade se discutia a preservação do Umbuzeiro e o aproveitamento do Umbu como uma das alternativas para a melhoria das condições de vida das famílias da região. Dali surgia à discussão sobre a possibilidade de se criar uma organização que substituísse o PROCUC, que cujo projeto estava se findando, foi daquela discussão que nasceu meses depois, a COOPERCUC.
Foi exatamente nas dependências do Clube Som de Cristal que o evento foi realizado, quando os grupos sob a orientação do Programa, planejava a produção de forma sustentável levando em consideração o manejo e preservação ambiental das áreas de Fundos de Pasto, de onde se extrai o fruto do umbuzeiro, o UMBU. Discutia-se quanto cada grupo produziria para ser comercializado para o mercado, como seria a organização das vendas nas barraquinhas das feiras livres de Canudos, Uauá e em Curaçá, quem seriam responsáveis para expor os produtos em cada barraquinha das Feiras e em cada Município e ainda, se produziria licor de Umbu ou não, prevalecendo à decisão de não produzir pelas razões apresentadas, defendidas e aprovadas na ocasião.
Naquela oportunidade a Comunidade do Cachaqui, Cacimba Nova, Parente, Paredão, Lagoa da Tábua e outras Comunidades no Município de Curaçá viviam um grave conflito na disputa pelos seus territórios, como sempre na história, a disputa pela posse da terra é um desafio justo e necessário para quem dela precisa para garantir a sobrevivência das gerações presentes e futuras. Naquela situação, as Comunidades e Lideranças se tornavam vulneráveis e ameaçadas pelos grileiros de terras se não fosse o acompanhamento técnico e jurídico para que estas famílias pudessem permanecer nas terras. Apesar de todo apoio, foi no dia 14 de julho de 2002, após o encerramento do Seminário e participarem de uma celebração religiosa, a voltarem para a Comunidade os lavradores foram vítimas de uma emboscada nas intermediações da Fazenda Barriguda na estrada que liga Uauá a Patamuté Município de Curaçá, naquele atentado quatro trabalhadores ficaram gravemente feridos, sendo que um deles ficou por alguns meses hospitalizado, graças a DEUS e o rápido atendimento todos se salvaram e hoje os acusados de mando daquela tentativa de assassinato estão respondendo o processo em liberdade, enquanto a Justiça não decide quando serão julgados em júri popular.
Nestes 9 (nove) anos daquele episódio doloroso e inesquecível para aquelas Comunidades, e em especial para as lideranças, poucas ações aconteceram, o desânimo com muitas expectativas que não se concretizaram tem sido muito mais fortes do que as esperança de verem os sonhos se realizarem. O que ficou de bom nesta quase uma década, mas que continua preocupando as Comunidades foi à terra livre para ser utilizada como área de uso comunitário, porém, desapropriada pelo INCRA (Governo Federal), não traz garantia segura de que aquelas famílias terão oportunidades de permanência na terra livre para criar seus caprinos e ovinos e umas poucas cabeças de gado bovino, sem ser mais vezes incomodadas como estavam a 9 (nove) anos pelos grileiros a mandos do suposto proprietário.
Nove anos se passaram, mas a LUTA continua, nosso desejo é que o desânimo não vença as esperanças.!!!
Valdivino Rodrigues de Souza
Articulação Regional das Comunidades Tradicionais de Fundos de Pasto
Canudos, Uauá e Curaçá
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