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Juventude indígena de Pernambuco realiza encontro em Cabrobó

Juventude indígena de Pernambuco realiza encontro em Cabrobó

Com o propósito de articular a juventude dos povos indígenas do estado de Pernambuco, cerca de 120 jovens estiveram reunidos/as nos dias 23 e 24 de julho no I Encontro de jovens indígenas de Pernambuco, realizado na Ilha de Assunção, em Cabrobó.

Com forte presença de rituais como a pajelança e o toré, o encontro teve como objetivo central incentivar a juventude a se envolver com as lutas sociais e assim contribuir com a resistência dos povos diante dos grandes empreendimentos governamentais e da iniciativa privada que tem provocado sérios impactos às aldeias, ameaçando, inclusive, a permanência de muitas famílias nos territórios. Além disso, a importância do auto-reconhecimento e da preservação da cultura e tradições do povo indígena foram elementos que tiveram destaque durante toda a programação.

Organizado pela juventude Truká da Ilha de Assunção, o evento contou com a participação dos povos Pipipã, Kambiwá, Kapinawá, Tumbalalá, Atikum, Pankará, além dos Quilombos Conceição das Crioulas e Vitorino, ambos do município de Salgueiro. Para Jacson Atikum, jovem que é presidente do Ponto de Cultura na Aldeia onde mora, no município de Salgueiro, o encontro é uma importante iniciativa que ajuda a juventude a pensar sobre os problemas enfrentados, “é uma ação que vai ter continuidade a partir das propostas que estão sendo discutidas”, anuncia.

Na abertura do encontro, o Pajé Antônio Chico, do povo Truká, questionou a disposição da juventude para dá continuidade às lutas dos povos indígenas, o que teve destaque também na fala das demais lideranças durante os espaços da programação. Nesse sentido, as discussões foram voltadas para o histórico da mobilização dos jovens na região, grandes empreendimentos dentro dos territórios indígenas e o papel da juventude indígena no fortalecimento do bem viver. A partir de trabalhos de grupo, as/os participantes apontaram os principais desafios existentes hoje na aldeia e na cidade e elencaram propostas para fortalecer o protagonismo da juventude indígena no estado.

Participaram do encontro também representantes de entidades de apoio como Conselho Indigenista Missionário – CIMI Comissão Pastoral da Terra e Irpaa. Para Roberto Saraiva, membro do CIMI, “a forma com que os jovens indígenas estão querendo se organizar, ouvindo dos mais velhos as experiências, para daí demandar sua caminhada, é extremamente esperançoso”. Numa avaliação positiva do encontro, Claudia Truká, uma das organizadoras, diz que a juventude tem um papel central no processo de luta pelo território, na resistência a obras como a transposição e usinas nucleares “que afetam não só ao nosso povo, mas também todas as comunidades ribeirinhas e também urbanas. Nossa juventude tem um papel importante de somar forças com nossas lideranças, com os movimentos sociais para enfrentar esses grandes projetos”.

Empreendimentos que ameaçam os povos indígenas no Sub-Médio S. Francisco

A Transposição do Rio São Francisco, atualmente com obras paralisadas, na região atinge diretamente povos indígenas de Pernambuco e da Bahia, a exemplo dos Truká, Pipipã e Tumbalalá. A construção das Barragens de Pedra Branca e Riacho Seco, também no Rio São Francisco, da ferrovia Transnordestina e, mais recentemente, o indicativo de instalação de duas usinas nucleares na região de Itacuruba (PE), são outros empreendimentos que impactam diretamente os povos ribeirinhos.

A aldeia Serrote dos Campos, a 3 km de Itacuruba, por exemplo, será realocada caso se concretize a previsão de funcionamento das usinas nucleares no São Francisco. Como lembra a jovem Cacique Lucélia Pankará, dezenas de famílias podem ser retiradas de seu território, vítimas de mais um projeto que não vem para beneficiar quem depende diretamente do rio. As comunidades lutam agora para não serem mais uma vez vítimas da migração forçada, como aconteceu com as mesmas no período de construção da Barragem de Itaparica, na década de 1980.

Em oposição aos projetos desenvolvimentistas, a proposta do bem viver

A experiência do “bem viver”, oriunda dos povos ameríndios, vem sendo aprofundada em alguns países da América Latina e aponta para mudanças no estilo de vida dos povos, orientada por um projeto onde a natureza tem papel central e a espiritualidade é também valorizada.

A proposta, que já se transformou em plano de governo no Equador e está presente também na Constituição Federal da Bolívia, parte da ideia de descolonizção, construindo uma proposta de modo de vida que discuta e aponte formas de viver bem para todo mundo, do ponto de vista do respeito aos direitos humanos, sem desrespeitar também o direito do meio ambiente. Para a eficácia disto, é necessário a mobilização dos povos, o envolvimento de todas as esferas da sociedade, passando por espaços de formação e decisão como a escola, as comunidades, o poder público.

A lógica do “bem viver”, apresentada no encontro pelo membro do CIMI, Saulo Feitosa, passa pela necessidade das lideranças políticas – seja no âmbito dos governos ou da sociedade civil – aprenderem a “mandar obedecendo”. Para ele, a juventude discutir essa experiência “é criar possibilidades das gerações futuras terem dentro de suas relações sociais uma situação de equidade, onde não haja um fosso entre os que tem e os que não tem. Começar a pensar no bem viver é fazer transformação, é pensar em uma sociedade justa, onde o ser humano seja mais importante que o dinheiro”.
 


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