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08.12.2011
Educação Contextualizada é alternativa para aproximar escola e comunidade
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional defende que os professores utilizem elementos da contexualização e da realidade local em suas práticas de ensino. Contudo, os professores têm dificuldade de adotar essa forma de ensino, pois é necessário que o educador consiga manter um diálogo com as demais áreas de aprendizagem para que o aluno possa relacionar a narrativa de um texto com as vivências cotidianas.
Para o Doutor em Educação e professor da Universidade do Estado da Bahia, Edmerson dos Santos Reis, os docentes devem se desprender das atividades dos livros didáticos e realizar estudos de meio, como enquetes com a comunidade e fazer o tratamento das informações obtidas, juntamente com os estudantes, avaliando o objeto de estudo - a comunidade - para que tanto o docente como o aluno reconheçam o meio em que vivem.
Após estudos e avaliações, é possível desenvolver práticas que ajudem a amenizar os problemas encontrados na região. “Através de enquetes sobre as condições de vida da comunidade de Massaroca foi elaborado um projeto com o apoio de uma ONG americana, a Pathfinder, onde foi possível trabalhar elementos referentes à saúde da mulher”, relata Reis.
Esse novo paradigma de ensino está centrado na Educaçã
o Contextualizada, que prioriza as questões da vida dos sujeitos, as problemáticas e as potencialidades do contexto local. É um modelo educacional que defende um currículo escolar no qual o estudante se reconheça e procure compreender o seu próprio ambiente. “Mas como proporcionar esse conhecimento se muitas vezes o professor que está ali para informar, não conhece a região em que ensina? Às vezes, o educador sabe apenas o caminho que o leva até a sala de aula, mas não conhece a realidade em que seus alunos vivem”, enfatiza o pesquisador.
A Escola Rural de Massaroca (ERUM) é uma das poucas escolas da rede municipal de Juazeiro, onde os professores trabalham a contextualização da educação há mais de dez anos, utilizando métodos como observação, compreensão e transformação da realidade. Alguns projetos foram introduzidos, contribuindo para a qualidade de vida do povo da região, como projetos de organização da juventude, saúde da mulher, organização comunitária, criação de galinhas, horta comunitária, manejo do rebanho e manejo da caatinga.
A professora Maria Letícia que leciona há dois anos no projeto “Mais Educação” na Escola Paulo VI, situada em Juazeiro, relata que busca ensinar a seus alunos de maneira diferenciada. Mas com a falta de incentivo, junto com a formação que os professores recebem, afirma que não é possível trazer para sala de aula a realidade do semiárido. A educadora ressalta ainda que muitos professores não conhecem exatamente o que é a Educação Contextualizada, que se fundamenta na desconstrução do currículo universalista. Para pesquisadores e organizações não-governamentais como a Rede de Articulaçao do Semiárido (RESAB) a Educação Contextualizada deve ser introduzida em todas as regiões do país, pois cada localidade possui determinadas características.
Segundo o Doutor em Educação Josemar Martins, “a contextualização da educação não diz respeito apenas às escolas do campo, mas também às escolas urbanas. Os impedimentos ou dificuldades da inserção deste modelo de ensino nas escolas do campo são os mesmos que verificamos nas escolas urbanas, ou seja, é a tradição de um currículo universalista e generalista que temos”.
O ensino escolar não contextualizado traz sérios prejuízos aos futuros adultos que não conseguem fazer o trabalho de retextualização, ou seja, não conseguem relacionar os conteúdos didáticos com a realidade em que vivem. Os textos não traduzem a sua realidade de mundo. Muitas vezes, isso é motivo da evasão escolar, pois os alunos não se sentem atraídos pelos assuntos discutidos no ambiente educacional, como esclarece Edmerson Reis.
Modelos para um currículo escolar que respeite a realidade regional podem transformam o ensino no semiárido, seja por meio da inserção dos educadores na comunidade e o retorno à escola para uma problematização sistematizada da "realidade", o que pode trazer intervenções concretas, como esclarece Josemar Martins. São ações como essas que podem fortalecer o conhecimento sobre as localidades e aproximar alunos e docentes da comunidade.
Texto: Lorena Santiago (Agência Multiciência UNEB)
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