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15.02.2012
MST realiza encontro regional em Juazeiro
Entre os dias 14 e 16 de fevereiro, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST participam do 13º Encontro da Regional Norte da Bahia. Cerca de 200 agricultores e agricultoras vindos de assentamentos dos municípios de Curaçá, Sobradinho, Juazeiro, Casa Nova, Abaré e Campo Alegre de Lourdes estarão avaliando o ano anterior e planejando as ações do movimento para este ano de 2012.
A abertura do encontro aconteceu na tarde desta terça-feira (14) com a participação de representantes do Movimento e de organizações sociais parceiras, a exemplo do Movimento de Atingidos por Barragens – MAB e IRPAA, além de representantes do Partido dos Trabalhadores do município de Juazeiro. Em seguida, as/os integrantes do movimento presentes no encontro se reuniram a partir das Brigadas para organizarem as tarefas durante o encontro.
Neste 13º Encontro, de acordo com o dirigente da Regional Norte, Paulo César Souza, a intenção é “reorganizar o Movimento na região”, pensando nas ações e atividades a serem realizadas durante o ano, além de avaliar o que vem sendo efetivado. “É um momento de planejar nossas ações de enfrentamento ao capital estrangeiro, ao agronegócio, para que a Reforma Agrária possa avançar na região”, destacou o integrante da Comissão Organizadora do Encontro.
O encontro acontece no prédio da antiga Univasf, em Juazeiro, e contará com momento de posse da nova direção do Movimento na região norte da Bahia. No último dia haverá também o lançamento da pesquisa Vozes Silenciadas, um estudo acerca da criminalização dos movimentos sociais na mídia, elaborado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, tendo como base o período de duração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instalada em 2010 tendo como alvo o MST.
Conjuntura do Movimento na região
O MST é considerado um dos maiores Movimentos Sociais do Brasil, tanto em quantidade de militantes quanto em capacidade de pressão social. Com mais de 370 mil famílias hoje assentadas e uma média de 900 ocupações em todo o país, defende a Reforma Agrária como uma das necessidades para uma sociedade justa. De uns anos para cá, no entanto, muitas críticas tem sido feitas no sentido de apontar um certo amortecimento do conjunto do Movimento, assim como certa flexibilidade que as lideranças passaram a ter ao negociarem com os governos.
Para um dos Dirigentes Nacionais, Marcos Matos, há uma conjuntura muito difícil no país, uma vez que o governo brasileiro optou por “um projeto de desenvolvimento que em determinados momentos exclui o pequeno agricultor, o assentado da Reforma Agrária”. Para ele basta observar os grandes projetos de irrigação na região, os quais não contemplam o pequeno agricultor, quem de fato produz. “Esse projeto de desenvolvimento não serve, é preciso ter um projeto que inclua as pessoas”, enfatizou.
Matos reafirma a necessidade da organicidade do Movimento considerando o entendimento de que “nenhuma conquista virá para os trabalhadores se não tiver pressão, mobilização dos trabalhadores, organização para pressionar os governos”. Ele destaca ainda a importância da atuação junto aos parceiros que também compreedem a Reforma Agrária como um instrumento na luta pela melhoria na qualidade de vida.
Eleições
Este ano, como mais uma estratégia de concretizar algumas lutas, o Movimento decidiu que algumas lideranças se colocariam para pleitear vagas no poder legislativo de cidades da região. “O MST não é um partido, é Movimento social, mas na condição de ator político da sociedade ele participa do processo eleitoral. Nossa prioridade é a Reforma Agrária, mas a gente acredita que é fundamental participar das eleições, os trabalhadores não podem se ausentar desse debate. A orientação é apoiar essas candidaturas de esquerda que tenham compromisso com a agricultura e com a Reforma Agrária, para que cada vez mais tenham pessoas nas câmaras municipais e nas prefeituras que tenham compromisso com os trabalhadores”, esclareceu Marcos.
Nessa lógica, o Movimento apoiará candidaturas nas cidades de Juazeiro, Sobradinho e Casa Nova, entendendo que é este é um caminho necessário para implementação de um projeto popular defendido há mais de 25 anos de história e luta pela Reforma Agrária no Brasil.
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