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Mulheres camponesas ocupam a sede da Coelba em Juazeiro e conseguem resultados

Mulheres camponesas ocupam a sede da Coelba em Juazeiro e conseguem resultados

“Mulheres Sem Terra: na luta contra o a violência do agronegócio, por reforma agrária e soberania alimentar”. Esta era a frase de uma das faixas carregadas pelas mulheres que neste dia 07 de março pararam a Ponte Presidente Dutra, em Juazeiro (BA), e ocuparam a sede da Coelba, em atividades da Jornada de Luta das Mulheres Camponesas neste mês em que as lutas feministas se intensificam em todo o país.

Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST, o ato teve início com uma parada nas imediações das rampas de acesso à Petrolina (PE), onde as mulheres do MST e demais movimentos participantes cantaram, entoaram gritos de ordem e fizeram falas explicativas sobre o ato, ao mesmo tempo em que chamavam a sociedade a aderir as reivindicações do Movimento. Em seguida, mais de 150 mulheres, muitas com filhos ou netos, vindas de municípios da região como Sobradinho, Casa Nova, Curaçá, Abaré e zona rural de Juazeiro seguiram em marcha para sede da Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia), de onde só saíram depois de reunião com a gerência da empresa.

Na pauta da Jornada de Lutas deste ano se destaca a denúncia da violência sofrida por milhares de trabalhadoras do agronegócio, que além de terem sua mão de obra explorada ainda são obrigadas a conviverem com as consequências do uso de agrotóxicos nos grandes projetos que produzem alimentos para exportação, enquanto muitas famílias passam fome. “Terras destinadas aos grandes projetos devem ser usadas em favor da soberania alimentar e não da exploração das mulheres”, enfatizou Socorro Varela, coordenadora de educação nos assentamentos da região e uma das participantes da Jornada de luta das mulheres camponesas.

Durante o ato outras mulheres eram chamadas a juntar-se ao grupo que, além das militantes do MST, contava com a participação de atingidas por barragens, estudantes, indígenas, entre outras. Em uma das falas, Naiara Santos, uma das coordenadoras estadual do Movimento na Bahia, lembrou que “mulheres que lavam pratos também servem para a luta, devem ser protagonistas de sua história”.

Para o camioneiro Valdemar Vieira, que ficou parado na ponte por quase uma hora, a manifestação é válida: “atrapalha o trânsito, mas se for em outro lugar ninguém vai respeitar”, disse o trabalhador que apoia a forma de reivindicação. João da Silva, também camioneiro, opinou que “o governo só quer saber de números, assenta as famílias, mas não dá assistência”.

 

Reivindicação à Coelba

De acordo com a Comissão Organizadora da manifestação, diversos pedidos de instalações elétricas nos Assentamentos da região tem sido feitos, porém as famílias não tem tido retornos positivos por parte da empresa. Segundo Socorro Varela, no Assentamento São Francisco – conquistado há 13 anos na região do Salitre, em Juazeiro – mulheres ainda sofrem para carregar água, mesmo estando há poucos quilômetros do Rio S. Francisco. "Isto porque falta apenas a Coelba ligar uma peça para que as mulheres tenham água em suas casas”, denunciou Socorro, lembrando também que em janeiro deste ano houve ocupações na região com essas reivindicações incluídas na pauta.

Marta Rodrigues, da coordenação do Movimento de Atingidos por Barragens, criticou o fato da Coelba hoje ser privatizada: “é uma vergonha o Brasil ser um grande produtor de energia e nossas comunidades não terem energia elétrica. A Coelba está nas mãos do capital privado, queremos a estatização da Coelba”. Alguns assentamentos do MST na região norte da Bahia ficam próximos à Hidrelétrica de Sobradinho, no entanto, não possuem infra-estrutura de energia com qualidade ou pagam altas tarifas, incompatíveis com a renda das famílias, frisou Marta.

Ao final da reunião com a gerência da Coelba, ficou encaminhado que no dia 30 de março o sistema elétrico que garantirá água no Assentamento São Francisco será inaugurado, assim como pendências em outros assentamentos e ocupações também serão regularizadas. Houve avanços também no encaminhamento de antigas reivindicações feitas por comunidades acompanhadas pelo MAB, que também esteve representado na comissão formada para apresentar a pauta a única empresa responsável pelo gerenciamento de energia na região.

Durante a mobilização, a prefeitura de Juazeiro também procurou representantes do MST para marcar reunião acerca dos encaminhamentos feitos após ocupação da prefeitura no mês de janeiro deste ano.

 


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