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Dom José partiu, mas suas ideias continuam a nos orientar!

Dom José partiu, mas suas ideias continuam a nos orientar!

Para nós do Irpaa, a partida de D. José Rodrigues de Sousa C.SSR é penosa e triste, pois a história da entidade e a sua pessoa estão intimamente ligadas. D. José Rodrigues foi uma figura central na fundação do Irpaa, sendo inclusive o primeiro presidente da entidade. Em sua caminhada na Diocese de Juazeiro, divulgava o novo paradigma da Convivência com o Semiárido em suas pregações, de forma contextualizada com as passagens bíblicas. Utilizou-se do rádio e outros instrumentos de comunicação para levar ao povo a mensagem de libertação através da convivência com o clima e com nossa região, evidenciando os aspectos políticos que sustentavam a famigerada indústria da Seca no Semiárido Brasileiro.

Dom José Rodrigues foi nomeado bispo da Diocese de Juazeiro em 1975, período que coincide com a construção da Barragem de Sobradinho, obra do governo militar que desabrigou 72 mil famílias dos municípios baianos de Remanso, Casa Nova, Pilão Arcado e Sento-Sé. Na época a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), anunciava que a barragem seria a redenção do povo do Nordeste. No entanto, o bispo testemunhou junto as comunidades ribeirinhas que a obra gerava muitos problemas para as pessoas, principalmente para as famílias rurais que tiveram suas terras, moradias e sua produção engolidas pelas água da barragem, sem receberem indenizações.

O país vivia momentos difíceis com o governo ditatorial, mas Dom José levantava a voz em defesa do povo sertanejo que perdia sua condição de viver com dignidade, pois as famílias que foram relocadas pela Chesf passaram a morar em lugares distantes, sem água, sem terra suficiente e sem o mínimo de condições de produzir o próprio sustento. Era preciso denunciar essa situação e convocar o povo para exigir seus direitos. Nesse período, a Diocese de Juazeiro, na pessoa de D. José, animava o povo da região para se organizar em associações, sindicatos, paróquias e outros grupos sociais. Dom José, conhecido como bispo dos pobres e oprimidos, estimulou a criação da Pastoral da Terra, da Mulher Marginalizada, da Criança, Juventude do Meio Popular, dentre outras. Através dos programas de rádio e cartilhas criadas pela Diocese, o povo começava a ter voz e a formar opinião junto à sociedade na busca da garantia dos seus direitos. Com a força dos pequenos unidos e organizados, o governo passava a ser pressionado e exigido no cumprimento de ações que trouxessem melhores condições de vida para as comunidades, especialmente na garantia do direito à terra, à água e formas de produção apropriada à realidade do região.

Foi nesse período que D. José contribui decisivamente na fundação do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), em 1991. Assim, através do Irpaa e de outras pastorais sociais da Diocese, D. José estimulou o debate sobre o “combate a seca” e as formas corretas de se produzir no Semiárido, a partir das condições climáticas próprias da região. Antes, em 1979, o bispo já anunciava junto com outros organismos sociais que o Nordeste passaria por uma catástrofe, um genocídio, uma vez que nada de concreto tinha sido pensado para solucionar tal situação.

A partir de uma nova concepção sobre as formas adaptadas de de viver e produzir no Semiárido, logo vieram os programas de construção de cisternas na Diocese através de campanhas que visam o abastecimento de água para o consumo humano em toda a região da Diocese. Hoje em dia este paradigma é usado em diversas destas ações, seja governamentais ou da sociedade civil e a visibilidade do Semiárido já não é mais confundida com o Nordeste, há uma atenção especial para a região que tem esse clima característico.

Por toda sua caminhada e seus exemplos eternizados em nossas mentes, seguimos sendo orientados por suas palavras, seus ideais de libertação e soberania popular, de justiça social. Nossos sentimentos são de homenagem e gratidão pelas tantas sementes plantadas por Dom José em nossos solos férteis do Semiárido.

Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada - IRPAA
Juazeiro – BA, 10 de setembro de 2012


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