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28 de abril: Dia Nacional da Caatinga e da Educação

28 de abril: Dia Nacional da Caatinga e da Educação

Para quem ainda não sabia, o dia 28 de abril foi instituído no Brasil como o Dia da Caatinga e também Dia da Educação. Num entrançado de pensamentos, clareia em minha mente vivências que me fazem enxergar uma bonita e importante relação entre essas duas datas comemorativas que não aparecem na folhinha que a gente pendura na parede de casa todo início de ano.

Pouca gente sabe que existe um Dia Nacional da Educação. Pouca gente se engaja na luta por uma educação de qualidade. Poucos governantes se preocupam em garantir este direito de forma plena. Já sobre o Dia da Caatinga, hoje já se fala um pouco, são feitos eventos, debates, até na mídia aparece alguma coisa sobre a importância de se preservar esse bioma que só existe no nosso país. Esse agendamento é importante, mas na verdade outra educação é necessária para nossa sociedade. O ecossistema já não pode mais se dá o luxo de ser lembrado apenas no Dia da Caatinga, da Água, do Planeta Terra. A natureza clama por ações mais consistentes de preservação, revitalização, uso sustentável de seus recursos finitos.

Aqui no Semiárido, avançamos quando trabalhamos por uma educação contextualizada, mas reconhecemos que ainda tem muito chão pra andar. A educação ambiental, por exemplo, não pode mais ser apenas uma ação pedagógica pontual. A sociedade precisa ser educada para viver em um mundo que não é só nosso, é também nosso. No nosso contexto sócio-ambiental, a cultura caatingueira precisa ser respeitada, estudada, quiçá revivida.

A escola muitas vezes não existe pra fora das paredes, parece está isolada numa bolha, não interage com a comunidade. Grande parte das/os educadores/as não tem o salário que merecem, a formação que precisam, o amor e o entusiasmo que devem mover o processo de ensino e aprendizagem que deve existir seja na escola do campo ou da cidade. Em casa também as crianças pouco conhecem as riquezas, as delícias de uma infância de outrora, onde a criatividade era mais forte que a atração por brinquedos tecnológicos prontos, plásticos e programados.

Que valores e tradições perpassam hoje a identidade de caatingueiro e caatingueira? Alguém hoje ainda faz trabalho de colagem com leite de favela ou brinca com carrapeta feita com o fruto da faveleira? Há quem olhe e sinta a chuva, depois espere ela passar para tomar banho na grota ou para ir procurar umbu no mato? Imbuído nisso tudo há um processo educativo, e a formalização da educação não pode fechar os olhos para este contexto. Não dá pra negar que mesmo no período de seca, os cactos sempre verdes são motivos excelentes para uma aula inesquecível. Por falar nisso, quem nunca quis experimentar a frutinha da cabeça de frade, do xique-xique ou então ficou admirando a beleza da flor do mandacaru? E o chazinho de catingueira e de umburana de cheiro? E as folhas de juazeiro para escovar os dentes? O sabor da carne de bode alimentado nos Fundo de Pastos e a umbuzada da vovó dá água na boca até de quem nunca experimentou. E como nos tornamos conhecedores desse potencial alimentício, medicinal, forrageiro, ornamental, melífero, madeireiro se não por meio da educação?

É a educação uma das grandes responsáveis pela memória da cultura caatingueira, mas também pela formação das consciências dos povos com relação aos seus direitos, à luta pela terra, o entendimento de sua história para além do que nos contam os livros didáticos ou os meios de comunicação, muitas vezes carregados de visões de quem não sabe o que é ser caatingueiro/a ou não conhece as particularidades do Semiárido.

Portanto, não basta a redução ou mesmo fim do índice de analfabetismo no Semiárido. Não basta Bolsa Escola, Mais Educação, Brasil Alfabetizado e tantos outros programas se não há uma educação libertadora, que descortine os olhos do homem, da mulher, da criança em fase de “alfabetização”, do/da educador/a, do padre, do pastor, do/da presidente da associação, do/a jornalista. É preciso entender que assim como a Caatinga hiberna de forma estratégica, os governos redefinem suas ações conforme melhor favorecem sua sobrevivência no poder. E agem assim tanto com a educação pública – com a invenção e reinvenção de ações e programas nem sempre eficazes – quanto com a exploração desmedida das Caatingas – a exemplo dos grandiosos projetos e obras que pouco ou nada beneficiam a população.

A denominação “as Caatingas” brasileiras já é utilizada por alguns autores, devido ao bioma ser formado por diversas especificidades. Do mesmo jeito já é hora também de uma política nacional de educação efetiva, que leve mais a sério os diversos contextos, que garanta na prática as leis, decretos, os discursos e as promessas feitas a cada pleito eleitoral. E que não se chegue ao tempo em que nos pleitos eleitorais sejam apresentadas propostas do recaatingamento de todo o Semiárido brasileiro.


Por Érica Daiane Costa


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