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Comunidades tradicionais trocam experiências em Intercâmbio

Comunidades tradicionais trocam experiências em Intercâmbio

Relatos de experiências de luta pela permanência no campo e o poder e a necessidade da organização para enfrentar as ameaças contra as comunidades tradicionais foram destaque no Encontro de Intercâmbio das comunidades tradicionais do Sertão do São Francisco, que aconteceu no dia 30 de maio deste ano, na comunidade de Areia Grande, Casa Nova – BA. Comunidades de Fundo de Pasto de Casa Nova, Curaçá e Uauá e comunidades Quilombola de Curaçá e de Pescadores de Casa Nova trouxeram uma bagagem de histórias de lutas e resistência pela permanência na terra.

Para Daniel Gonçalves, da comunidade quilombola Nova Jatobá, Curaçá- BA, este momento é de riqueza e importante para apresentar para os demais como tem sido a organização e as lutas das comunidades quilombolas e conhecer as dos outros povos. “É importante como a gente pode desenvolver unindo as parcerias para, por exemplo, não deixar ninguém ocupar os nossos espaços, onde a gente sobrevive bem sossegado, se organiza para viver em paz”, afirmou Daniel.

As/os representantes de comunidades tradicionais relataram o quanto são alvos de ameaças por parte de grileiros, empresas do agronegócio, mineradoras, parque de energia eólica, entre outras que usam da violência e de outros mecanismos para tentar expulsarem as famílias de suas terras e território. Para quem participou do Intercâmbio ficou a certeza de que a união entre estes povos tradicionais é fundamental para fortalecer a luta em comum, que é o direito a viver bem e com qualidade de vida nas terras herdadas de seus antepassados.

Ao final do Encontro constatou-se que os desafios enfrentados por quilombolas, pescadores e fundos de pastos são muito semelhantes e que momentos como estes contribuem para fortalecer a luta. Para Cristiane Ribeiro da Silva, de Curaçá, este espaço representa um estado importante desse histórico de enfrentamentos das comunidades tradicionais e que mesmo diante da falta de justiça, não se pode desanimar. “Isto já é um ponto positivo dessas comunidades, mostra que a força, a luta e a união faz a diferença e que estes movimentos trazem um diferencial para que se possa começar a haver as conquistas”, disse.

O exemplo de Areia Grande

Areia Grande, onde aconteceu o evento, tem sido alvo de confrontos ao longo de mais de 30 anos e a resistência do seu povo tem sido exemplo para outras comunidades tradicionais que passam por situações semelhantes de conflitos. O membro de uma das comunidades e representante da Articulação Regional e Estadual de Fundo de Pasto, Valério Rocha, explica que “tem outras comunidades que vivem no sistema de fundo de pasto, que estão se espelhando na luta de Areia Grande e a gente também está dando apoio a esse pessoal que estão sofrendo os impactos com estes grandes projetos... estamos dando apoio e conseguindo que elas se regularizem e se reconheçam enquanto fundo de pasto juridicamente...”, informa.

No sistema de Fundo de Pasto as famílias têm a possibilidade de viverem produzindo no campo, em áreas herdadas de familiares, sem necessitar ou depender ajudas externas. Mas através da auto-gestão, autonomia e do uso coletivo da terra conseguem desenvolver práticas sustentáveis de manejo da Caatinga, como a criação de caprinos, o extrativismo e o beneficiamentos de alimentos nativos. “Nosso jeito de viver no sertão é esse. O que a gente defende é o nosso território, a permanência pela terra e viver em liberdade é esse o nosso objetivo”, esclarece Valério.

Cristiane explica ainda que defender o território é defender a identidade, além, entre outros motivos, de evitar as migrações das populações rurais para as margens dos grandes centros. “A garantia da permanência na terra, não como o poder de ter uma terra, mas de garantir a sua sobrevivência e permanência no lugar em que você nasceu, da forma em que você viva e tenha a alternativa de continuar (no campo)”, esclarece.

Apesar de toda violência sofrida nestes últimos anos e as ameaças a todo instante estes povos demonstraram muita animação e força para continuarem resistindo. Seu Joaquim Rocha (Quimquim), nascido e criado em Areia Grande, que está desde o início da luta pela terra deixa a seguinte mensagem para todos/as trabalhadores/as que lutam com o mesmo objetivo: “que não esmoreçam na caminhada, que continuem se unindo, se organizando para poder defender o seu pedaço de chão, seu território porque só assim, nós vamos ter dias melhores. O homem do campo, a mulher do campo sem terra, sem água, é um homem e uma mulher sem vida”, ensina seu Quimquim.

O Encontro é uma ação da Articulação Popular do São Francisco Vivo, que tem como entidades integrantes, entre outras, o Irpaa e a CPT. Segundo Marina Rocha da CPT e membro da Articulação, há expectativa que outros encontros sejam realizados. Estiveram presentes também o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, a Articulação Regional e Estadual dos Fundos de Pasto e a União das Associações de Fundo de Pasto. A programação do dia foi regada com otimismo e ao som de muitas canções populares, uma celebração importante entre estas comunidades tradicionais.
 


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