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Comunidades ribeirinhas da Bahia e Pernambuco recebem mutirão sobre energias

Comunidades ribeirinhas da Bahia e Pernambuco recebem mutirão sobre energias

 

Energia é algo indispensável hoje em qualquer parte do mundo. O desafio atual é avaliar quais as fontes menos impactantes ambiental e socialmente e junto com isso questionar o uso da energia “para quê?”, “para quem?” e “como?”. Partindo deste entendimento, representantes de organizações que compõem a Articulação Popular São Francisco Vivo nas regiões do Submédio e Baixo São Francisco se reuniram nesta segunda (02), em Cabrobó (PE) para um dia de estudo em preparação a uma série de visitas em comunidades ameaçadas ou impactadas com projetos de geração de energia.

O estudo contou com a coordenação do profº Heitor Scalambrini, da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, e integrante do Movimento Ecossocialista de Pernambuco – Mespe, que trouxe diversas informações acerca de três fontes energéticas: hidráulica, eólica e nuclear. As contribuições de Heitor ajudaram o grupo a entender o contexto brasileiro no tocante a riqueza e a exploração no setor energético.

“O setor energético contribui para as mudanças climáticas”, apresentou Heitor, ressaltando inclusive que não existe energia limpa, existem fontes mais ou menos impactantes, pois todas as formas de geração estão sujeitas a degradação dos bens naturais. Além disso, o debate girou em torno do uso que é feito da energia no país, sendo a maior parte para o comércio e a indústria e apenas 25% para o setor residencial.

Há dois tipos de geração de energia: geração local transportada para outras regiões e geração descentralizada, ou seja, próxima ao local onde será consumida, com possibilidade de complementaridade de fontes. Esta última é a que menos ocorre no Brasil, prevalecendo, portanto, um modelo centralizado. Muitas vezes as próprias regiões onde a energia é gerada não são contempladas, como é o caso do município de Sobradinho, no sertão da Bahia, que ainda possui comunidades sem energia a poucos quilômetros da hidrelétrica e de parques eólicos.

Falta democracia
Uma das críticas feitas é com relação a ausência da participação popular nas decisões voltadas para as políticas energéticas no Brasil, o que se dá no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, composto por 12 pessoas, dentre estas 09 ministros, sem qualquer representação da sociedade civil organizada. Em decorrência de decisões consideradas desrespeitosas para com os povos ribeirinhos do São Francisco, Maria José de Araújo, do Projeto Cultura de Paz da região de Floresta (PE), lamenta que as cidades pernambucanas que já foram relocadas com a construção da Barragem de Itaparica tornem a passar pelo mesmo transtorno com a implantação das Usinas Nucleares previstas para o município de Itacuruba.

Além da nuclear, há ainda a possibilidade de ampliar a geração de energia na região a partir da construção de duas hidrelétricas: Pedra Branca e Riacho Seco, o que diretamente atingiria os municípios de Curaçá e Juazeiro, na Bahia, e Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Pernambuco. Com isto, territórios indígenas já regularizados, comunidades Fundo de Pasto, territórios pesqueiros e outras comunidades tradicionais podem ser inundadas.

Mutirão
A proposta de visitar as comunidades tem a intenção de realizar um diagnóstico, partindo da realidade de muitas que estão sofrendo algum tipo de impacto com a geração dessas energias ou que possam sofrer futuramente. O grupo se dividiu em 03 equipes que terão três dias para percorrer uma média de 15 comunidades nos municípios de Itacuruba, Belém do São Francisco e Santa Maria da Boa Vista, do lado pernambucano e Rodelas, Curaçá, Sobradindo, Sento Sé e Casa Nova, do lado baiano. No percurso, serão feitas visitas às lideranças e reuniões com as comunidades, buscando reunir informações acerca da visão das mesmas sobre os referidos projetos.

Após as visitas, as equipes retornarão à Cabrobó para fazer a socialização e encaminhar a sistematização as informações, as quais serão usadas no fortalecimento do trabalho da Articulação Popular São Francisco Vivo junto às comunidades ribeirinhas. Além disso, o momento será de grande acúmulo para seguir questionando os atuais modelos energéticos do país e, sobretudo, construindo proposições mais viáveis, com menos impactos sócio-ambientais.

Participam do mutirão representantes do Conselho Pastoral dos Pescadores/as (BA e PE), Irpaa, Comissão Pastoral da Terra, Projeto Cultura de Paz, Povos Indígenas Pankarás e Sintagro, todas integrantes da Articulação.
 

Texto e Foto: Comunicação Irpaa


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