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Agricultora germina semente de mandacaru e aumenta produção de forragem no quintal de casa

Agricultora germina semente de mandacaru e aumenta produção de forragem no quintal de casa

No período de longa estiagem no Semiárido brasileiro a vegetação da Caatinga perde suas folhas para economizar água. Com isto, a oferta de alimentos disponíveis no bioma diminui, prevalecendo os cactos. Até que as próximas chuvas cheguem, muitas famílias camponesas, que usam tradicionalmente a riqueza disponível no bioma para criar seus animais soltos nas áreas coletivas de fundo de pasto, utilizam o que guardaram de forragem no período verde (estoque) e/ou compram ração para complementar a alimentação das criações (cabras, ovelhas, galinha).

Em uma situação como esta e sabendo que as longas estiagens sempre acontecerão, D. Iraci Orcelina dos Santos, mãe de três filhos e casada com seu Damásio Francisco Nascimento, transformou uma dificuldade em oportunidade. Moradora da comunidade de Rebolão, no município de Chorrochó - BA, ela vem aprendendo a usar o mandacaru nos períodos de longa estiagem a partir do seu estoque vivo no quintal de casa. “Não preciso ir para longe, nem enfrentar sol, nem terra quente para encontrar o mandacaru... vou tirar mandacaru no terreiro de casa, plantei para isso”, explica.

Esta história começou em 2007, quando viveu um verão tendo que entrar na Caatinga para cortar e carregar mandacaru para alimentar a criação, ao mesmo tempo que tinha que se dedicar as atividades domésticas e cuidados com a filha com necessidade especial. A ideiaMultiplicação das mudas foi plantar o mandacaru ao lado de casa, na terra da família, só que a partir da semente. E foi experimentando, que ela teve a certeza qual a maneira mais produtiva e menos penosa de plantar mandacaru, a germinação das sementes e o viveiro de mudas.

Com um único fruto ela tem centenas de sementes que germinadas podem gerar centenas de pés de mandacaru. O plantio a partir dos troncos, cortados de um pé de mandacaru, não garante mais do que dez pés. Além das sementes possibilitarem a multiplicação do plantio, D. Iraci conseguiu outros resultados, os quais comprovam que a planta nascida da semente também se desenvolve mais rápido, além de ter uma nova planta com mais tempo de vida.

A partir dessa experiência exitosa, nesta última seca, ela disse que não passou aperto. Tinha o alimento de qualidade e verde no quintal de casa, já que o mandacaru é uma planta resistente as longas estiagens. “Quando os animais estão com fome e vejo o mandacaru ali na minha frente com a certeza que vou cortar e botar para as criações comerem, eu fico feliz, muito contente”, informou D. Iraci.

Provar para crer

Até chegar na realidade que está hoje, a agricultora sofreu muito com a descrença do povo em relação a sua ideia de manter um cultivo de uma planta nativa no seu quintal, a partir da sementes. D. Iraci explica, que até o próprio esposo não acreditava que a experiência fosse dá certo. Muitas vezes ele soltava a criação na área de cultivo do mandacaru e os animais comiam tudo. “Depois assuntei que aquilo que estava certo. Nunca tinha visto ninguém aqui na região plantar mandacaru a partir da semente, só do tronco”, explicou seu Damásio. Aos poucos, às famílias da comunidade e o esposo têm dado credibilidade e valor ao trabalho a partir dos resultados que tem visto.

Mesmo diante da descrença e das dificuldades que foram surgindo ela continuou e hoje ela tem mais de 80 pés de mandacaru no quintal em ponto de corte, além das mudas e sementes. Atualmente, os próprios vizinhos procuram D. Iraci para pedir sementes de mandacaru e reproduzirem uma prática que estão vendo que dá bons resultados.

Com esta interferência no modo de produção de forragem, D. Iraci é consciente do quanto também vem contribuindo com o meio ambiente e com a preservação desta planta no seu habitat natural, a Caatinga. Em uma matemática simples, constatou que ao passo que a sua ideia vai crescendo na comunidade e mais agricultores/as familiares vão plantando mandacaru e deixando de tirar da Caatinga, a degradação de plantas nativas diminui significativamente.

Mais uma tecnologia na sua propriedade

A água que cai da chuva logo vai ser armazenada no quintal da casa da família de D. Iraci em uma cisterna de enxurrada com capacidade de guardar 52 mil litros de água. Ela nãoD. Oraci na sua plantação de abóbora está longe de colher os frutos deste projeto em sua vida, hoje já plantou as sementes no quintal esperando por esta tecnologia social, que tem chegado em milhares de casas de famílias do campo do Semiárido brasileiro, através do Programa Uma Terra e Duas águas (P1+2) da Articulação do Semiárido (ASA) que na comunidade de D. Iraci está sendo executado pelo Irpaa, com financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

Com a possibilidade de armazenar água da chuva, ela já iniciou o plantio de sementes de pimenta, quiabo, hortaliças, verduras e muitas outras plantas para diversificar a produção e aumentar a oferta de alimentos variados nas refeições da família.

 

Texto e foto: Comunicação Irpaa
 


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